Sempre houve e sempre haverá o bem e o mal, a virtude e o vício. De que adianta então? Adianta não ser como os que prejudicam, os que mentem, os que caluniam. Adianta ser bom, virtuoso, gentil e verdadeiro. Por você, sem esperar nada de ninguém, sem esperar nada em troca; nem reverência, nem crítica. Marco Aurélio em uma das conhecidas passagens do seu “Meditações” alerta a si mesmo ao acordar: “as pessoas que eu encontrarei hoje serão indiscretas, ingratas, arrogantes, desonestas, invejosas e ranzinzas” (2. 1). De que adianta então? Adianta saber diferenciar o bem do mal. Não se…
Em Meditações, Marco Aurélio filosofa mais uma vez sobre como o tempo é fugaz e fora do nosso controle. E como devemos abordar a questão de como abraçar nossa mortalidade e viver com presença diariamente, pois isso expande nossa realidade: “A velocidade com que todos eles desaparecem – os objetos no mundo e a memória deles no tempo. E a natureza real das coisas que nossos sentidos experimentam, especialmente aquelas que nos seduzem com prazer ou nos assustam com dor ou são em alto tom alardeadas pelo orgulho. Para entender essas coisas – quão estúpidas, desprezíveis, sujas, decadentes e mortas…
Sintonizando-se com a realidade Matthew B. Crawford propõe uma postura de “amizade com o mundo” – estar em sintonia com a realidade, em vez de tentar moldá-la à nossa vontade. Para ele, trabalhar com o mundo tal como ele é exige humildade e atenção. Ao consertar algo ou lidar com um problema concreto, somos forçados a escutar o mundo. E isso nos torna mais lúcidos e presentes. Crawford valoriza atividades que colocam o ser humano frente a frente com a realidade – como a mecânica ou o artesanato – porque elas exigem honestidade diante dos limites objetivos. Ao aceitar que…
Uma das mais famosas frases de Shakespeare é de Hamlet que, se dirigindo a Horácio, fala: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe sua vã filosofia”. Longe de mim querer criticar a tradução já estabelecida, mas li que há críticas, já que original não tem a palavra “vã” no texto: “There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy”. Horácio representa a racionalidade, enquanto Hamlet, a paixão. Há mais no mundo do que se consegue explicar ou racionalizar. Mas, principalmente, devemos incorporar nossa filosofia nas nossas ações. Todos…
É fácil reclamar, mesmo atentos aos nossos privilégios. Reclamar de nós, dos outros, do destino. A reclamação, porém, resolve alguma coisa? As consequências das reclamações e lamentações podem parecer a princípio satisfatórias, alívios imediatos. Não mudam, porém, a situação e muito menos trazem calma interna. Pior: ainda podem levar outras pessoas com você ao poço das reclamações. Essa não é uma resposta estoica; humana sim, mas não estoica. Se cair nessa armadilha das lamentações, mude o rumo da prosa. “Ou você consegue lidar com qualquer obstáculo que a vida lhe apresente… ou não consegue. Se você consegue, não torne, por…
Para aprender de verdade, e conseguir produzir algo significativo, é preciso ter foco. Para alcançar esse foco, é necessário estar longe de distrações, das redes sociais, do youtube, e do ruído da informação demasiada e espalhada. Hoje em dia, a pressão social de estar conectado torna ainda mais difícil essa tarefa. É árduo tentar superar as pressões dos colegas, as distrações de paixões e desejos para impressionar a todos, conquistar atenção ou respeito. “Concentre-se a cada minuto como um romano – como um homem – em fazer o que está à sua frente com seriedade precisa e genuína, ternura, vontade…
O Estoicismo é uma filosofia de autocontrole e de autodomínio. A metáfora de que precisamos ser nosso próprio médico e de que, assim, devemos cuidar de nós mesmos, das nossas “enfermidades”, é recorrente. A filosofia estoica reforça a importância dos mestres, dos tutores, dos conselheiros e dos amigos na nossa caminhada ao encontro de uma vida feliz/virtuosa. Porém, no que realmente conta: está conosco a responsabilidade de curar a nossa mente. “Pare de divagar. (…) Corra para o final. Cancele suas vãs esperanças, e se seu bem-estar importa para você, seja seu próprio salvador enquanto você pode” . Marco Aurélio,…
Os antigos estoicos faziam o exercício de visualização negativa (PREMEDITATIO MALORUM). Ao se pensar no pior, eles estabeleciam uma âncora no subconsciente, e isso afetava diretamente as percepções subsequentes. Com algum esforço e imaginação, pode-se encontrar um pouco de luz em qualquer nuvem. E como reza a famosa Lei de Murphy, tudo sempre pode piorar, e isso já é razão suficiente para ser sempre grato. “Se você está aflito por alguma coisa externa, não é isso que incomoda, mas seu próprio julgamento. E está em seu poder aniquilar esse julgamento agora”. Marco Aurélio, Meditações Exercite pensar no pior e faça…
“Estupidez é esperar figos no inverno ou crianças na velhice“, escreve Marco Aurélio, no livro 11, de suas Meditações. A metáfora nos remete a impossibilidade de que as coisas aconteçam fora do seu tempo, desrespeitando a Natureza, as questões de causa de efeitos, ou mesmo a duração que leva para que as coisas amadureçam. É preciso tempo para que os frutos maturem. Também é preciso tempo para que a criança se torne jovem, depois adulto e depois velha. As coisas boas, as coisas grandes, precisam de tempo! A metáfora de “figos no inverno” já havia sido utilizada por Epicteto em…
Para o Estoicismo, as paixões (páthos) eram sentimentos, desejos e emoções doentios, não-saudáveis ou insalubres; como medo, raiva, ciúmes… E devemos nos livrar desses sentimentos que nos fazem mal. Ser dominado por paixões, é abrir mão da razão. As paixões nos fazem julgar as situações de forma incorreta. Quando odiamos, seja uma situação ou nós mesmos, não conseguimos avançar, afinal a raiva é um desses sentimentos doentios que nos faz perder a razão. A raiva é considerada pelos estoicos uma das paixões mais terríveis e violentas. A ira – que é a raiva em sua pior forma – é entendida…
